Hospital Vera Cruz - Hipertensão arterial sistêmica: uma doença silenciosa

Hipertensão arterial sistêmica: uma doença silenciosa

26 Apr - Saúde

A Hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada pela elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg . Os primeiros métodos para aferir a pressão arterial (PA) surgiram no começo do século XX e desde então foi percebida uma associação clara entre os níveis elevados de PA e o aumento da morbimortalidade.

Nos pacientes com índices pressóricos acima de 140x90mmHg os benefícios de uma intervenção médica superam os riscos da não intervenção, em outras palavras os possíveis riscos associados ao tratamento são menores que os riscos de não realizar tratamento algum.

 

No Brasil a HAS atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos e 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular (DCV).

 

Atualmente estima-se que para cada hipertenso tratado e com níveis adequados de PA existam dois hipertensos que não atingem os níveis pressóricos ideais apesar de estarem em tratamento. Calcula-se ainda que cerca de 30% de todos os hipertensos sequer sabe que é portador de hipertensão arterial sistêmica.

 

O desenvolvimento de HAS está relacionado a fatores genéticos, ambientais e hábitos pessoais. Alguns dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de HAS são:

Idade; sexo e etnia; excesso de peso e obesidade; ingestão exagerada de sal; ingestão de álcool; sedentarismo e familiares com diagnóstico de HAS.

 

A HAS é uma doença silenciosa e raramente causa sintomas perceptíveis pelo próprio paciente. Seu diagnóstico é feito por um médico com base nos índices pressóricos. Devido à sua apresentação silenciosa muitos pacientes acabam interrompendo o tratamento por conta própria ou sequer procuram um médico.

 

Existem dois mecanismos básicos pelos quais a hipertensão causa dano: diretamente pela sobrecarga no sistema circulatório ou pelo processo aterosclerótico concomitante. Os principais órgãos afetados na HAS são o coração, o cérebro, os rins e a retina. Devido às varias complicações associadas à HAS a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a hipertensão como principal causa evitável de morte no mundo.

 

Uma vez feito o diagnóstico de HAS o médico irá definir qual o melhor tratamento para cada paciente. Mesmo após o diagnóstico o controle pressórico adequado só será atingido se houver comprometimento e participação do paciente com seu próprio tratamento.

 

A abordagem terapêutica da HAS elevada inclui medidas medicamentosas e não medicamentosas que têm como objetivo a redução da PA e prevenção de complicações relacionadas a ela. Entre as medidas não medicamentosas destacam-se o controle de peso corporal, dieta balanceada, prática regular de atividades físicas, cessação do tabagismo e controle de estresse. Já o tratamento medicamentoso é feito com o uso de anti-hipertensivos, escolhidos de acordo com as características de cada paciente de forma individualizada. De maneira geral dá-se preferência aos medicamentos que comprovadamente diminuem eventos cardiovasculares, ficando os demais reservados a casos especiais em que há necessidade da associação de múltiplos medicamentos para que se atingir as metas pressóricas.

 

Este ano, em um dos maiores e mais tradicionais congressos de cardiologia do mundo, o American College of Cardiology, realizado nos Estados Unidos, foram apresentadas importantes orientações sobre o controle da hipertensão arterial.  Nesse evento foi reforçada a importância de uma vida saudável (alimentação balanceada, atividades físicas regulares e controle de peso) e acompanhamento médico regular, como sendo as principais formas de prevenção de HAS e outras doenças.

 

Em resumo temos que a hipertensão arterial sistêmica é uma condição multifatorial, com grande morbimortalidade e que afeta milhões de pessoas pelo  mundo. Seu tratamento requer abordagem médica especializada e inclui associação de mudanças no estilo de vida e terapêutica medicamentosa adequada nos casos selecionados. Consultas médicas regulares e boa aderência ao tratamento indicado por seu médico são a melhor forma de prevenir doenças e manter-se saudável.

 

 

Fonte:

Dr. Gustavo Micena

Cardiologia Hospital VeraCruz

Equipe Dr. Fernando Carvalho

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