Hospital Vera Cruz - Coronavírus: Dr. Rogério Sad, Intensivista do Coordenador do CTI/ HVC

Coronavírus: Dr. Rogério Sad, Intensivista do Coordenador do CTI/ HVC

20 Nov - HVC na mídia

Dr. Rogério Sad, Médico Intensivista e coordenador do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Vera Cruz em entrevista para o Jornal O Tempo na tarde desta quinta-feira (19) relatou que, após um período de estabilização da enfermidade, a quantidade de contaminações voltou a crescer nos últimos 10 dias.

Nesta quinta-feira (19/11), médicos de BH divulgam carta com alerta para 'explosão' de internações por Covid e a situação atual das unidades hospitalares e falam de segundo pico na primeira onda da doença.

A primeira onda da Covid-19 em Belo Horizonte ainda não foi superada, mas um segundo pico da doença pode estar se aproximando. Nos últimos três dias, o número de internações de infectados graves pelo novo coronavírus aumentou em 20%. 

O temor de especialistas é de que a capital volte a enfrentar um cenário crítico da doença, com explosões de mortes. Por isso, médicos intensivistas divulgaram uma carta, que está viralizando nas redes sociais, para alertar a população sobre a situação das unidades de saúde.

Chefe do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Vera Cruz e do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), Dr. Rogério Sad relata que, após um período de estabilização da enfermidade, a quantidade de contaminações voltou a crescer nos últimos 10 dias.

 

"E, nesta semana, houve aumento expressivo de internações do CTI. Lembrando que os doentes que vão para o CTI são mais graves e, por isso, têm mortalidade maior. Quanto mais contaminados, mais doentes e mais óbitos", frisou.

 

O crescimento de internações, conforme o especialista, deve-se ao relaxamento irresponsável, por parte dos moradores, das medidas de segurança sanitárias capazes de conter a proliferação do vírus. Aglomeração, abandono do uso de máscara e higiene inadequada das mãos são alguns dos fatores de riscos.

 

"As pessoas pensam que a pandemia acabou, mas ela está ai. Apesar de que a situação estava controlada nas últimas semanas, do pontos de vista da estabilização, a primeira onda ainda não passou. Então, poderemos ter um segundo pico dentro da primeira onda", explicou o médico.

 

Na carta, assinada por vários intensivistas da capital, eles relatam que a pressão vivenciada no sistema de saúde pode ser convertida em mortes. "É importante observar que no pico chegamos a ter 20 mortes por dia por COVID-19 na cidade e que nas últimas semanas tínhamos conseguido baixar esse número para cerca de 5 mortes por dia. Se falharmos e deixarmos voltar aos números que observamos no pico em julho, estaremos condenando 15 pessoas à mais a morrer por dia", observam. Confira a íntegra do comunicado no fim da matéria.

 

Constatação da doença

 

De acordo com o Hermes Pardini, que controla mais de 5,5 mil laboratórios no país, o número de exames positivos de infecção por coronavírus em laboratórios privados no Brasil aumentou 25% na primeira quinzena de novembro em comparação às duas primeiras semanas de outubro. No mesmo período, a procura por exames aumentou 30%. Os dados são do grupo Hermes Pardini, que controla mais de 5,5 mil laboratórios no país. 

 

O Laboratório São Paulo, no estado paulista, registrou um aumento ainda maior, de 100%. Nos primeiros 15 dias de novembro o Índice de Positividade do teste PCR para a Covid-19 dobrou com relação ao mesmo período de outubro.

 

O sócio-diretor do laboratório e médico, Daniel Dias Ribeiro, alerta que não é momento para abandonar os cuidados de prevenção. “O uso da máscara, a higienização constante das mãos e o isolamento social são fundamentais para mantermos os índices baixos. Ainda não temos a vacina contra a Covid-19 que é a única solução para retomarmos as atividades sociais como eram antes”, acrescenta ele.

 

Confira abaixo a íntegra da carta divulgada pelos intensivistas:

 

Depois de 13 semanas consecutivas de queda progressiva no número de leitos de UTI ocupados por pacientes COVID com queda de 555 para menos de 200. Depois observamos mais 3 semanas seguidas de relativa estabilidade. Entretanto, nesta última semana notamos um aumento rápido e preocupante de 20% no número de pacientes COVID em terapia intensiva e de 23% no número de paciente COVID em ventilação mecânica. 

 

Esse aumento observado foi de 197 para 236 pacientes internados em leitos de isolamento para COVID-19 nas UTIs de Belo Horizonte e aumento de 115 para 142 do número de pacientes mais graves e em ventilação mecânica por causa da doença.

 

Esses números confirmam a percepção subjetiva de todos e os sinais objetivos de alerta que tivemos nos últimos dias com aumento do número de atendimentos nas salas de emergência de quadros respiratórios febris agudos,aumento rápido do número de casos novos confirmados por exames nos laboratórios,  piora do índice de transmissão da doença, para níveis de RT acima de 1,1 que não eram observados desde julho.

 

Esse é um forte sinal do que estamos enfrentando um recrudescimento da primeira onda doença. Tecnicamente não é a segunda onda como em alguns países, pois não tínhamos ainda saído da primeira onda, já que não conseguimos atingir um número baixo de casos novos que nos permitisse, por exemplo, considerar a volta às aulas das crianças.

 

 

Assim, é absolutamente essencial retomarmos o esforço coletivo de ampliar a adoção das medidas preventivas capazes de reduzir a transmissão da doença, voltando todos ao nível de empenho e cuidado que já tivemos antes, quando conseguimos derrubar os números críticos da doença (casos novos, leitos ocupados, mortes por dia) para um terço do que foram no pico.

 

 

É importante observar que no pico chegamos a ter 20 mortes por dia por COVID-19 na cidade e que nas últimas semanas tínhamos conseguido baixar esse número para cerca de 5 mortes por dia. Se falharmos e deixarmos voltar aos números que observamos no pico em julho, estaremos condenando 15 pessoas à mais a morrer por dia, por falta de adesão a medidas que já sabemos serem eficazes e possíveis de serem implementadas. Todos sabemos que uma dessas pessoas poderá ser alguém querido e próximo a nós.

 

Então não custa relembrar a importância das medidas preventivas:

Medidas de responsabilidade individual:

1. Manter distância de pelo menos 1 metro e meio das outras pessoas

2. Usar máscara de forma correta, sobretudo quando fora de casa

3. Higienizar as mãos com água e sabão ou com álcool gel sempre que necessário

4. Evitar tocar o rosto

5. Evitar ou limitar o tempo de permanência em espaços fechados com muita gente

Medidas de responsabilidade coletiva:

1. Fazer campanhas sobre a importância dessas medidas

2. Disponibilizar testes para todos os casos, mesmo para os casos leves e testar os contatos dos casos confirmados

3. Garantir quarentena dos casos suspeitos e isolamento dos confirmados

4. Cuidar para que todos os ambientes de uso público sejam bem ventilados ou com filtragem de ar

5. Garantir que quando alguma vacina eficaz e segura estiver disponível, que seja rapidamente disponibilizada para todos com critérios claros e corretos de prioridade

6.    Garantir assistência médica adequada para todos, tanto na rede de atenção primária, nas emergências, nos hospitais e nas unidades de terapia intensiva.

 

Enquanto isso, nós médicos e demais profissionais da terapia intensiva continuaremos na nossa missão de salvar o máximo de vidas dos pacientes que chegam a precisar de terapia intensiva. Temos orgulho de que até agora não ocorreram mortes por falta de cuidados de terapia intensiva em nossa cidade. 

 

Gostaríamos de ter certeza que todos vão fazer sua parte enquanto nós continuamos fazendo a nossa.

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Dr. Rogério SAD, médico intensivista e Coordenador do CTI/HVC para o Jornal O Tempo (19/11/2020)