Hospital Vera Cruz - Cirurgia cardíaca minimamente invasiva

Cirurgia cardíaca minimamente invasiva

21 Dec - HVC na mídia

Uma nova técnica para a cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, promete bons resultados de forma menos agressiva e minimamente invasiva, se comparada aos métodos convencionais. A primeira cirurgia do tipo emMinas Gerais foirealizada em 19 de novembro no Hospital Vera Cruz, em Belo Horizonte.

O paciente, de 62 anos, é cardiopata há 17. Ele passou pelo procedimento e em quatro dias recebeu alta hospitalar. "Ele sofreu um infarto e estava com obstruções importantes nas coronárias, artérias que irrigam o coração. Sua recuperação foi mais rápida e melhor", relata o cirurgião cardiovascular Cláudio Parra.

É a cardiologia cumprindo o papel de ser uma das especialidades médicas que mais evoluem em busca de tratamentos inovadores e efetivos no controle e prevenção de doenças, em particular as cardiopatias. Importância amplificada se considerado que as patologias cardiovasculares respondem pela maioria das mortes no planeta, mais até que o câncer, conforme a Organização Mundial de Saúda (OMS).

Na nova forma de cirurgia cardíaca, assistida por vídeo, a tecnologia está a favor da saúde. A intervenção é feita a partir de incisões torácicas menores (reduz de 22a25cm, nos processos tradicionais, para 5a10cm), com melhores resultados para os pacientes, como confirmam estudos na área.

Entreasvantagens,uma forma menos agressiva de intervenção cirúrgica, commenos dor,menor riscocirúrgico, chancesminimizadas de sangramento e infecção hospitalar, tempo diminuído para recuperação, dentro e fora do hospital, retorno mais rápido às atividades cotidianas,menortempo de CTI, menor necessidade de transfusãosanguínea,alémdoaspecto estético, com apenas uma pequena cicatriz no tórax depois da cirurgia.

Enfim, um melhor pós-opera-tório. É um caminho de evolução que segue tendência global. Diferentes centros de saúdenomundo se direcionam para esses esforços.

A cirurgia minimamente invasiva pode ajudar, além dos pacientes que necessitam de revascularização cardíaca,também quadros comnecessidade de troca ou reparo de uma valva cardíaca,retirada de tumoresno coração oupara corrigir algumas cardiopatias congênitas.

A cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena) por MICS (minimally invasive cardiac surgery), ou cirurgia cardíaca minimamente invasiva, surgiu nos Estados Unidos há alguns anos. No Brasil, é realizada em São Paulo, Goiânia, Maceió, CampoGrande eJoinville. Em Belo Horizonte, ocorreu sob supervisão do cirurgião cardiovascular Cláudio Parra, com uma equipe de oito integrantes. Segundo o cirurgião,é tecnicamente mais complexa e desafiadora para o médico. "Tira a dor dopaciente, o desconforto pós-cirúrgico,epassa o desafio para o cirurgião. Ao mesmo tempo,é muito gratificante ver o paciente voltando para casa em quatro dias e retomando as atividades físicas após duas semanas", compara. Com a intervenção tradicional, o paciente voltaàvida normal entre 60 e 90 dias de pósoperatório. Na nova técnica, esse tempo cai para cerca de 15 dias. Outro dado dá conta de que, no procedimento normal, geralmente são precisos, após a cirurgia,pelomenos dois dias de CTI e outros cinco a sete em enfermaria, frente a um dia de CTI e três no quarto, na última modalidade, como explica Cláudio Parra. 

OBSTRUÇÕES Segundo o médico,acirurgia de revascularização do miocárdio é hoje o melhor tratamento para quem tem angina (dor no peito) devido a obstruções nas artérias coronárias. Previne infarto e melhora sintomas de dor e cansaço, aumentando a qualidade eaexpectativa de vida. 

Porém, a forma tradicional de revascularização tem alta morbidade (efeitos pós-cirúrgicos indesejados). "Tempo mais demorado para voltar às atividades físicas eàvida normal, além da dor e dos desconfortos naturais da cirurgia.Já a cirurgia cardíaca minimamente invasiva alcança o mesmo excelente resultado, coma principal diferença depreservar o osso esterno, que não é aberto", explica o especialista. Comaabertura do osso do tórax, há risco de infecção, ainda que baixo, mas, se acontecer, pode acarretar problemas sérios. Nesse caso, aumenta a mortalidade de 3% para 60%.

Nas cirurgias minimamente invasivas, o acesso é feito do lado direito do peito para troca de valvas cardíacas, correção de cardiopatias congênitas e retirada de tumores, enquanto que, para a revascularização,aincisão é feita à esquerda. Outra evolução é a substituição das pontes de safena por pontes de mamária ou de radial.

A revascularização é realizada com enxertos. São feitas pontes por onde o sangue passa do corpo atéocoração, desviando das obstruções das artérias responsáveis para esse fim. Cláudio Parra explica que a durabilidade dos enxertos de veia safena (da perna) é de aproximadamente cinco anos, enquanto os de artéria radial (do braço) duram entre 10 e 15 anos. No caso das artérias mamárias, as pontes duram mais de 20 anos. Essa técnica, que substitui as veias safenaspelas artérias radial e mamária, se chama revascularização totalmente arterial, e representa o que há de melhor para esse tipo de paciente, aumentando a longevidade, como informaomédico.

"Essa éatécnica empregada nas cirurgias convencionais e minimamente invasivas realizadas pela equipe." Cláudio Parra diz que, assim como cirurgias abdominais, que de abertas passaram para o vídeo e depois para a robótica, a expectativa é que agora a cirurgia cardíacaminimamente invasiva migre do vídeo para o robô. "Estamos entusiasmados comos novos desafios", finaliza.

Fone:

Reportagem Jornal Estado de Minas, 20/12/2020