Hospital Vera Cruz - Apendicite aguda: O que você precisa saber

Apendicite aguda: O que você precisa saber

04 Jan - Bem estar

APENDICITE AGUDA: O QUE VOCE PRECISA SABER

 

A apendicite aguda é uma doença muito comum, que necessita diagnóstico e tratamento especializados com urgência. Ocorre pela obstrução do apêndice cecal que leva a sua inflamação e infecção. Ocorre mais frequentemente em pacientes jovens e os principais sintomas são perda do apetite e dor no canto inferior direito do abdome.

 

ANATOMIA DO APÊNDICE

O apendice cecal é um pequeno órgão de 5 a 10 cm de comprimento que se localiza no canto inferior direito do abdome, e se comunica com a primeira porção do intestino grosso (ceco) em fundo cego, como uma via sem saída. Tem formato cilíndrico, com diâmetro que não ultrapassa normalmente os 7 mm.

Sua função é controversa, sendo parte do sistema de defesa do organismo contra infecções, mas tendo uma função apenas residual quando comparado aos nossos antepassados e outros animais, onde o apêndice é parte importante no processo da digestão dos alimentos.

 

O QUE É APENDICITE E O QUE CAUSA A APENDICITE AGUDA?

Apendicite aguda é a inflamação aguda (recente) do apêndice cecal, que ocorre pela obstrução da parte interna (luz) do mesmo. É uma das principais causas de dor abdominal, sendo a causa mais frequente de cirurgia de urgência em todo o mundo.

Normalmente pequenas quantidades de fezes entram e saem do apêndice sem problemas, porém às vezes pode ocorrer uma obstrução da comunicação do apêndice com o intestino grosso. Essa obstrução ocorre em geral por um pedaço duro de fezes (coprolito ou fecalito), mas outros fatores podem ainda promover esta obstruçao, como sementes de frutas, pequenos vermes ou, mais raramente, alguns tumores.

Com a obstruçao do apêndice, as bactérias no seu interior se multiplicam, inflamam o apêndice e obstruem ainda mais a comunicação com o intestino grosso, perpetuando assim o processo denominado apendicite.

 

O QUE É APENDICITE SUPURADA?

Existem vários graus da apendicite. Inicialmente, o processo inflamatório e infeccioso se restringe ao apêndice, que fica ingurgitado, avermelhado e endurado. Com o passar das horas, as bactérias vão se proliferando no interior e ao redor do apêndice, e o apêndice vai ficando edemaciado, o que prejudica a irrigação de sangue do apêndice, podendo ocorrer sofrimento, isquemia e necrose da parede do apêndice.

Quando o apêndice perfura, podem cair fezes ou pus na cavidade abdominal, o que determina a apendicite aguda supurada. Esse processo pode ficar localizado no canto inferior direito do abdome ou, em quadros ainda mais graves, disseminar a infecção por todo o abdome, o que chamamos de peritonite difusa.

Assim que iniciarem os sintomas, portanto, deve-se sempre procurar atendimento médico no pronto atendimento, para fechar o diagnóstico e tratar assim que possível, evitando-se as formas mais complicadas da doença.

 

FIQUE ATENTO AOS PRINCIPAIS SINTOMAS DA APENDICITE

A apendicite aguda acomete principalmente jovens de 10 aos 20 anos, porém é também freqüente na primeira e terceira décadas de vida. Ocasionalmente pode ocorrer nos idosos também, quando o quadro pode ser mais grave.

Os principais sintomas da apendicite são:

-Mal estar, náuseas.

-Anorexia (perda do apetite)

-Dor abdominal alta iniciallmente mal localizada e difusa, que com o passar das horas se localiza bem no quadrante inferior direito do abdômen,

-Prostração e febre (quadros mais avançados em geral).

O quadro clínico de apendicite aguda classicamente se inicia com perda do apetite, seguido de dor abdominal difusa e mal localizada. O intestino reduz seus movimentos e se distende por gases, podendo surgir náuseas e cólicas abdominais. Após 12-24h a dor passa a se localizar no quadrante inferior direito do abdome.

Quando não tratada adequadamente neste primeiro momento, podem surgir novos sintomas. A febre pode indicar apendicite supurada, e ocorre em geral nos casos de doença mais avançada. A seguir, se houver contaminação de toda a cavidade abdominal com o processo infeccioso (peritonite difusa), o paciente apresentará dor abdominal difusa mais forte, que piora aos movimentos bruscos ou ao caminhar.

 

COMO DIAGNOSTICAR A APENDICITE

É importante que assim que comecem os sintomas da apendicite o paciente procure atendimento médico de urgência, de forma a tratar precocemente a apendicite e evitar as complicações, que podem ser até mesmo fatais.

O médico, durante o exame físico, atentará ao padrão da dor abdominal, onde ela se localiza e o que causa a dor. Em alguns casos apenas a história da doença e exame físico bem realizado podem sugerir fortemente a apendicite aguda e indicar a necessidade do tratamento cirúrgico imediato.

Nas mulheres, alguns problemas infamatórios ou infecciosos nas tubas e ovários podem simular apendicite aguda, quadro chamado de DIP. Nos pacientes obesos, por sua vez, o exame físico costuma ser mais dificil e trazer menos informações aos médicos.

Portanto, na maior parte dos casos deve-se lançar mão dos exames complementares, que servirão para ajudar o médico a fechar o diagnóstico, e diferenciar as causas de dor abdominal, entre elas as doenças inflamatórias dos ovários e tubas, infecção urinária, cálculo ureteral, gravidez e outras.

Exames de sangue e urina são em geral solicitados, e quando necessário, pode-se ainda solicitar exames de imagem, sendo os principais utilizados o ultrassom abdominal total e a tomografia computadorizada do abdômen.

 

TRATAMENTO DA APENDICITE

Para se tratar o quadro, antibióticos devem ser administrados, e a retirada do apêndice cecal inflamado e a higiene da cavidade abdominal ao redor do apêndice devem acontecer o quanto antes possível.

A cirurgia convencional (aberta) pode ser realizada hoje em dia com pequenas incisões (corte) de aproximadamente 2 a 5 cm no canto inferior direito do abdome. Quadros infecciosos mais duradouros e pacientes mais obesos demandam às vezes incisões um pouco maiores para permitir o acesso adequado. O anestesiologista individualizará o tipo de anestesia para cada paciente, que poderá ser raquianestesia, peridural ou ainda anestesia geral.

A cirurgia pode ainda ser realizada por videolaparoscopia. Neste caso, o paciente é submetido à anestesia geral, é insuflado gás no abdome e, por meio de pequenos orifícios, posicionados duas pinças e uma pequena câmera que filma o interior do abdome, permitindo ao cirurgião operar olhando para um monitor. Esta modalidade de cirurgia apresenta menores incisões com melhor resultado estético e um retorno às atividades diárias mais precoce.

Nos pacientes obesos, ou pacientes onde ainda há duvida diagnóstica a cirurgia videolaparoscópica é em geral mais vantajosa, por se evitar grandes incisões e permitir uma investigação de toda a cavidade abdominal.

Cada método de abordagem cirúrgica tem seus prós e contras, e caberá ao cirurgião assistente, discutindo com seu paciente, optar por um ou por outro método cirúrgico.

 

Fonte: 

 Dr. Pedro Henrique Osório

Cirurgião Geral | Especialista em Videolaparoscopia pela SOBRACIL

CRM-MG 46561. RQE 22067

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