Hospital Vera Cruz - Álcool, fígado e carnaval

Álcool, fígado e carnaval

27 Feb - Bem estar

o uso nocivo ao recreativo, o álcool é, indiscutivelmente, a droga mais consumida no mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a cada ano, ocorrem aproximadamente 3,3 milhões de mortes no mundo como resultado do consumo nocivo do álcool, o que representa 5,9% do total de mortes. O consumo de 60 gramas ou mais de álcool puro (seis ou mais doses de bebida, na maioria dos países) em uma única ocasião, pelo menos uma vez no mês, é conhecido na literatura internacional como heavy episodic drinking (HED), ou uso pesado episódico do álcool. Esse tipo de consumo geralmente provoca intoxicação alcoólica aguda, a qual é a principal causa dos problemas relacionados ao álcool na população, e, justamente, o que mais acontece em épocas festivas, como o Carnaval.

Já o consumo crônico diário de bebidas alcoólicas superior a 30g de álcool para os homens e 20g para mulheres, aumenta o risco de cirrose e desenvolvimento de neoplasias.

O questionário CAGE (apresentado abaixo) pode ser utilizado na identificação de indivíduos em risco para abuso e dependência de álcool:

 

1 – Você já sentiu que precisa diminuir o seu consumo de álcool?

2 – As pessoas lhe incomodam criticando o seu consumo de álcool?

3 – Você já se sentiu mal ou culpado por seu consumo de álcool?

4 – Você já usou um drinque cedo pela manhã para acalmar os nervos ou curar uma ressaca?

 

Se você respondeu sim a duas ou mais perguntas, procure auxílio médico.

As bebidas variam quanto à quantidade de álcool puro que contêm. Veja abaixo o teor alcoólico aproximado de cada tipo de bebida:

Cerveja e chope – 4% a 6% - ou 4-6g de álcool para cada 100mL;

Vinho – 12% - ou 12g de álcool a cada 100mL;

Licores – 15% a 30% - ou 15-30g de álcool a cada 100mL;

Destilados (pinga, vodca, conhaque, whisky, absinto) – 45% a 50% - ou 45-50g de álcool a cada 100mL.

O consumo diário superior a duas latas de cerveja/dia ou duas taças de vinho, por exemplo, já pode ser suficiente para causar lesão hepática e levar a cirrose. Cabe destacar que pessoas que tem outras doenças sistêmicas, como hepatite viral, diabetes, obesidade e esteatose hepática, podem agravar ainda mais o quadro ingerindo bebidas alcoólicas. Dessa maneira, procure sempre ter hábitos saudáveis, evite a ingestão frequente de bebidas alcoólicas e use somente com moderação. Cuide da sua saúde, procure seu médico e avalie seu fígado periodicamente. O hospital Vera Cruz conta com equipe de hepatologistas prontos para te ajudar.

 

Veja as dicas da nossa equipe para o consumo seguro de álcool no carnaval:

- Evite beber ou beba pouco.

- Beba devagar, sem pressa.

- Alterne bebidas alcoólicas com bebidas não alcoólicas como sucos ou água e mantenha-se sempre HIDRATADO.

- Procure comer antes e durante os momentos em que você está bebendo para diminuir a velocidade de absorção do álcool.

- Planeje de antemão como você vai fazer para voltar para casa e defina o motorista da vez. NUNCA dirija sob efeito de bebidas alcoólicas, mesmo que você ache que está bem.

- As mulheres absorvem o álcool contido nas bebidas de forma diferente dos homens e ficam intoxicadas (alcoolizadas) muito mais facilmente. Portanto, devem ficar ainda mais atentas.

- Alguns medicamentos, como antidepressivos e anti-ácidos, podem aumentar a velocidade de intoxicação pelo álcool (embriaguez).

- O uso concomitante de álcool e entorpecentes (como maconha, lança-perfume, cocaína, LSD, etc) pode ser extremamente prejudicial ao organismo.

- A única maneira de curar embriaguez é esperar o álcool ser metabolizado pelo nosso corpo. Não há outra forma, nunca houve, independente do que você já ouviu falar por aí ou das receitas caseiras.

 

Referências:

EASL Clinical Practice Guidelines: Management of alcohol-related liver disease. J Hepatol. 2018; (69): 154-181

Drogas: cartilha álcool e jovens. Secretaria Nacional Antidrogas – Brasília: Presidência da República, Secretaria Nacional Antidrogas, 2007.

 

Guilherme Grossi Lopes Cançado

Médico Gastroenterologista e Hepatologista do Hospital Vera Cruz